quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ditadura Mental

Pode parecer estranho, mas sei exatamente o ano em que gostaria de ter nascido, se não fosse em 1987 (e se eu pudesse escolher): seria em 1945. Em 60, teria 15 anos. E a partir daí, just rock, baby - minha adolescência seria brindada com o melhor do mundo: Elvis, Beatles, Diretas Já, muita rebeldia com causa, preocupação com a causa e uma pitada de Janis Joplin e toda a trupe do Woodstock.

Ah... me imagino dentre os vestidos acinturados, as TV's sem cor, o clima inédito da chegada do rock 'n roll trilhando o som daqueles anos de ebulição política, mental, mercadológica e social. Meu deus, como queria estar presente no início de tudo. A consolidação do consumismo, o império 'salve-se quem puder' capitalista. Queria ver de perto que é pra entender melhor como chegamos ao ponto em que estamos hoje.

A galera do Hair¹ deve estar se debatendo no caixão por assistir a uma sociedade tão livre que dispensa essa liberdade e corre procurar alguma barreira, que é pra não se perder eu acho. Assim, seguimos padrões de beleza; obedecemos à moda; mantemos alguns conceitos falidos de uma moral injusta; regras absurdas de certas religiões - que acreditam num deus monstruoso e assustador. Nosso corpo é despido de pressões, mas a mente é acorrentada e manca - ela acha que temos que ter para ser.
O homem nunca esteve mais livre em toda a história da humanidade: quem quiser ser gay, que seja; quem quiser gravar um vídeo fazendo cocô e mostrar para o mundo, que mostre; quem quiser ser famoso, que seja; quem quiser jogar uma casca de banana no Lula, que jogue.
Pelo amor de deus, a internet é nossa, é a pura tradução do semi-anarquismo em que vivemos.
Entretanto, infelizmente, é dirigindo seu carrão do ano, comprando os lenços do inverno e comendo os lanches do Mc Donalds, que lá vai ele: o homem se sentindo completamente dono de si.
Cegou-se para as amarras da mente; as correntes invisíveis que nos permitem caminhar até certo limite; os megafones disfarçados de beleza que nos dizem do que gostar, o que querer ser e o que querer comer.
Somos livres para ser o que quisermos, mas as revistas dirão o que devemos querer ser. Temos liberdade para ter o cabelo que desejarmos, mas a mídia dirá qual o cabelo mais bonito de se ter. O mesmo mundo que te liberta, te dará ordens discretíssimas.
E não se preocupe, para os rebeldes também existem moldes: não seguir os moldes.
Tudo bem, tá tudo certo: terão roupinhas alternativas te esperando em alguma loja do shopping.

Preste atenção! Nem estou profanando uma manipulação calculada, hein. Acredito que o mundo está assim porque é assim que o capitalismo funciona. "Dane-se o 'ser', vocês tem que 'ter'!"
Acontece que cada um pode refletir e nadar contra a maré. Pode abrir os olhos, acordar do sono profundo e entender que Mc Donalds faz mal, mesmo eles te dizendo para comer e ser feliz; que pegar 30 sacolinhas plásticas por dia para seu conforto, por exemplo, vai fazer do mundo um lixo; que a publicidade tem o puro intuito de vender: não precisa comprar a ideia.
Assim, resumo aqui minha percepção do mundo: estamos em liberdade vigiada.
Mas existe uma saída. Estamos a poucos passos da liberdade plena. Quando soltarmos os nós mentais impostos por um mercado que só precisa girar, aí então seremos homens livres!
Livres de qualquer padrão invisível, de qualquer preconceito banal. Neste dia, sairemos de pijama ou até nus pelas ruas cantando e gritando o sentimento mais puro que nos tomará por completo: o indescritível momento em que iremos tão somente SER.

¹ O musical de todos os tempos.

5 comentários:

ana luz disse...

adorei o post de ontem e mto mais o de hoje!! aposto que se inspirou na nossa conversa do carro ontem!!!rs...
as vezes eu tenho vontade de sair correndo daki...me esconder e esperar o mundo acabar!!!
como vc diz é uma ditadura mental!!! nós nem percebemos mas somos controlados feito bonecos e adoramos isso.quando isso vai acabar?

amo vc!
bjo

Mah!!! disse...

Belo post!

Josué Mendonça disse...

muito legalzinho aqui..
poesia sobre o drama existencial???
isso é bom
abraço

Michel Rossi disse...

Pois é, Zuza....

Eu não nasci em 1945, mas 18 anos depois; serve eu te contar algumas experiências da época?

anos 70
1) 1970, Brasil tri-campeão no México= muitos Aero-willys, DKWs e Fusquinhas na rua..mas não podia cantar o hino nacional....os militares não gostavam disso...

2) 1971, Lançado o álbum de figurinhas, PRA FRENTE BRASIL; destaque para uma foto montada por 9 figurinhas do Pres. General Medici.

3) 1975, Estadão: o Gremio Estudantil foi fechado...não queriam que ali surgissem cabeças pensantes para o futuro;

3) 1978/79, SoroCity: explode a era DISCO na cidade, com as discotecas dos clubes (Ipanema, Sorocaba, Circulo, Recreativo) e as maravilhosas Zarabatana, Voyage e Studio 1000.

tanta coisa pra dizer.......
por enquanto é só....


Bjooooo..

E Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo vandré)

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...
(continua...)

JB disse...

Oláá, muito legal mesmo, tbm nao nasci na época, e tbm admiro mto toda a liberdade e vontade de lutar que se tinha na época, tenho um blog com o exato nome do seu post, ditadura mental, caso queria dar uma passada, parabéns.
www.ditaduramental.blogspot.com

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