segunda-feira, 26 de abril de 2010

Hoje é dia de salto alto.

Melanie era amante do chão.
Não sabia se sentir gente sem cobrir os pés com sandálias baixas, rentes à terra e que a mantivessem em sua altura real. Assim, ela era de verdade e podia liberar seus gestos e expressões para seguirem fluídos e espontâneos.
Com saltos, virava robô.
Eis que, numa bela manhã de começo de semana, Melanie resolve fantasiar-se para a batalha corporativa. E veste seus pés de altura.
Logo no primeiro passo adentro de seu templo capitalista correspondente, uma surpresa imensa: havia certa grandeza exterior ali. Ela flagrou-se alta, concreta, firme.
Pro bem ou pro mal, encaixou-se melhor entre a massa heterogênea das oito horas diárias.
Não sei dizer se mais feliz, mas viu-se mais capaz.
O salto, que é alto, fez o dia desabrochar confiante.



beijoseboasemanacorporativacontemporâneaatodos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma historinha resumida.


Eu virava. E minha cabeça virava junto.
Eu amava. E meus poros amavam junto.
Quando me decepcionei, toda a minha vida se decepcionou junto.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

o mesmo, a mesma, os mesmos, as mesmas.

tudo gira, sob um único eixo.

nós temos a mesma idade
e aquele gosto pelo incerto
cobrimos unhas com esmaltes neon
gostamos de usar os coletes abertos

nós temos os mesmos sonhos
os mesmos desejos secretos
arriscamos as mesmas cores
lançamos olhares discretos

nós cantamos as mesmas canções
preenchemos as mesmas melodias
rezamos aquelas orações
trocamos noite por dia




beijoseboasemanaatodos!

quinta-feira, 25 de março de 2010

quando a palavra é amor,

então é inteiro.
é medo, é entrega.
não existem ponteiros.
somente a ânsia de que rodem estáticos.

quando a palavra é amor
a pele arrepia;
o tato implora;
a boca chama;
o tempo ignora;
o olhar hipnotiza;
o dia demora;
a noite ilumina;
o eterno é agora;



quando a palavra é amor
você sempre surge na história.

terça-feira, 23 de março de 2010

Pequenas responsabilidades



e todas elas, igualmente, incômodas.
(ou não)

segunda-feira, 15 de março de 2010

frio ou calor?

Detesto meios termos. Mas sou toda imprecisão.
O verão me derrete, mas o faz com a determinação dos deuses e, portanto, perdôo-lhe as gotas suadas que faz brotar de mim.
O inverno me esfria movimentos com seu vento tão dolorido. Congela-me o peito, me arranha por dentro. Encolhe-me. Exclui-me do mundo que perde fácil pro meu sofá.
De qualquer forma, verão e inverno são inabaláveis. E isso é algo de se admirar. (claro que deixando de lado o aquecimento global e as bruscas mudanças climáticas geradas por ele)

Acontece que hoje. Acontece hoje. Acontece... Bom, acontece que o hoje é todo das meias estações.
O ventilador tá cansado de tanta indecisão. E cada uma de suas hélices também está.
Elas sabem pra onde girar, só falta eu me decidir se as quero girando.
Mas aí já depende do ar que não resolve ser quente ou frio. Faz-me embarcar num abotoar e desabotoar da blusa de lã.
Com ela, calor. Sem ela, frio.


Com você, amor. E sem, saudade.
Na certa, medo.

beijosmedrososemcadabochechinha!

quarta-feira, 10 de março de 2010

hoje pontiagudo



quero quebrar coisas
perfurar paredes com minha raiva
e quebrar o chão com o peso do meu ódio
depois vou fugir de mim, correr para meus braços
e ficar comigo mesma
digerindo e digerindo os espinhos do dia

segunda-feira, 8 de março de 2010

Se...


se é que é cor, colore-me
se é que é cura, estanca-me
se for amor, fica
se é ilusão, esgota-se
se for leveza, leva-me