quinta-feira, 19 de março de 2009

GRITO

Ontem teve protesto. Com direito à cartolina, nariz de palhaço e apitos dominados por suspiros revoltosos marchando pelos corredores da Uniso, onde costumam exigir silêncio mais do que nos exigem qualquer outra coisa.
Alunos de relações públicas, jornalismo e publicidade e propaganda vêm tendo aulas de Teoria da Comunicação em uma mesma sala, em um só horário, com os únicos dois ventiladores e um professor responsável. Sim, todos juntos!
Interrompemos a aula de prática de pesquisa (não antes de responder a chamada, claro!), nos infiltramos em meio à salada mista de curiosos, injustiçados, revoltados e baderneiros sem causa, e pronto. Lá estávamos nós sendo parte do que almejamos organizar em todos os três anos de jornalismo.
Ocupamos a coordenação de comunicação - parece que fazendo barulho, a gente alcança as notas que a reitoria ouve.
Os três coordenadores responsáveis não hesitaram em comparecer rapidamente e, quase que de cabeças baixas, concordaram com a razão de ser da reinvindicação e uma reunião com a reitoria foi agendada para hoje.
Dentre os poucos narizes de palhaço alienados e à procura de bagunça, percebi uma maioria corcunda de tanta desilusão. Algumas vozes gaguejavam coragem para enfrentar representantes de um sistema decadente, corpos transpiravam o cansaço de tanto descaso e os olhos... Os olhos duvidavam de cada promessa (que era incerta até para as bocas que as expeliam).

Não interessa.
Não me importa em absoluto o desfecho disso agora, porque contaminamos aquela sala.
Estagiários e coordenadores devem estar, no momento, circulando por ela, atendendo telefones, imprimindo papeis. Mas ficou amarrada ali em cada parede, em cada cadeira e em cada caneta, uma ameaça chamada democracia.
Toda vez que alguém recorre à ela, as cabeças do topo lembram de descer seus degraus hierárquicos e encarar os rostos de quem as mantém onde estão.

A propósito, as cartolinas diziam: EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA

terça-feira, 17 de março de 2009

Olhos de julgar


A menina pesseia tão desarmada pela rua, que aquilo incomoda.
(Não a da foto. Ela é uma criança, e é linda, pode andar como bem entender.)

Falo de outras, de outros, que passam longe de padrões e acabam punidos por pessoas acorrentadas a se sentir no direito de julgar deus e o mundo.

Um dia desses...

_ Nossa! Como uma pessoa daquele tamanho pode usar uma blusa daquelas?
_ Ah... Coitada, deixa ela usar o que quiser, ser como quiser.
_ Ser como ela quer tem limites, vai... Olha esse cabelo, que absurdo!
_ Por que absurdo? O cabelo é dela.
_ Tudo bem, quem passa vergonha é ela, não eu.
_ Não sei, tô achando tão gostoso ver alguém assim, livre.
_ Eu tô achando é humilhante.

_ É que você se impõe limites demais, e acaba nem sabendo, na verdade, quem é você!
(arrghh... essa parte ficou na vontade)

segunda-feira, 16 de março de 2009

refogadinhos

Como todos os restaurantes e bares preferem fazer, também optei por pegar uma mistura na geladeira, dar uma refogadinha e servir alegremente no prato de segunda-feira.

Texto antigo, mas escrito num momento muito feliz, por nenhuma razão especial.


FELICIDADE

Como explicar?!

É sensação de missão cumprida
E a ânsia do reencontro
É o despertar sem compromisso
Ser você sem ser omisso
Os dez reais em bolso antigo
É a manhã do meu domingo

Felicidade é quilo perdido
É vestido encontrado no dia da festa
Paixão de verão
Amor longa vida
Convite na solidão
Filme bom em tarde vazia

Ser feliz não é possível, o que se pode é estar

Feliz é um estado de espírito,
Assim como o triste
E esse é fato justo do viver

Feliz é o que sou ao seu lado
Mesmo em dia nublado
Se tagarela ou fica calado
Tranqüilo ou mesmo preocupado
Se Santa Cerva ou sofá da sala
Calça branca ou bermuda rasgada
Felicidade foi te achar
Sem saber o que tinha achado

Felicidade é o alívio do perdão
É resultado de teste aprovado
Música linda tocando no rádio
Elogio vindo de chefe bravo
É o parar da chuva na saída do carro
Acordar e lembrar que é feriado

Feliz é quem quer e busca a felicidade em gotas, segundos, reticências e grãos
Todo momento guarda em si o infinito
Todo trajeto nos reserva labirintos
Cada coração segue um compasso
e cada célula é imprescindível

Nessa estrada sem placas ou sinais
Não é permitido saber muito ou entender demais
E a felicidade torna-se então o caminho
É o asfalto
É o durante, e não o depois

Felicidade é o arco-íris que não se pode tocar
É o abstrato
É misto de todas as cores
Sorriso de todos os dentes

A felicidade foi inventada, não para teorizá-la
Basta saber que as coisas estão harmoniosamente em seu lugar,
e que nós sempre estamos aonde deveríamos estar

domingo, 15 de março de 2009

Vale Tudo!

Na guerra contra a esquisitice, a chatice, a monotonia e os faustões do domingo, vale o que quiser!
Eis aqui algumas dicas simples e de fácil execução:

* Sente num lugar inusitado dentro da sua própria casa (o chão do quintal, a calçada da frente, um degrau que nunca pensou em sentar, alguma janela [que seja segura - pelo amor de deus]);
* Se gostar, pegue um livro da sua mãe que nunca pensou em ler, mas que pode ser interessante;
* Saia dar uma volta (queima calorias e acrescenta paisagens diferentes do que a sua tv);
* Cante uma música diferente, tente lembrar de alguma que faz tempo que vc não canta (te faz lembrar de coisas adormecidas, e é sempre inspirador);
* Tome um banho já! Gelado, de preferência (renova qualquer energia).

Olha, pra mim, uma dessas coisas aí em cima sempre ajuda e no fim das contas, a noite de domingo sempre se supera e me dá, no mínimo, uma boa ideia, seja pra escrever ou pra desenhar, de repente dá um pique de sair, ir ao cinema. Sei lá...

Enfim, não subestime o domingo!

sábado, 14 de março de 2009

SÁBADO ANSIOSO - de ânsia mesmo

outro dia comentei virtualmente que eu era "uma ressaca de guloseimas terrível". E a maldita descrição causou um certo frisson, ou algo assim. Mas é que meu estômago anda muito sensibilizado, sabe? Vive gritando dores incômodas e desconfortos insólitos. Tenho tido ressacas homéricas, e deve ser de mim mesma (das guloseimas também, mas nem como tanto). Ás vezes enche habitar sempre o mesmo corpo, ser rodeada pelas mesmas ideias redundantes...
Para o acupunturista e muitos personagens da medicina alternativa, este órgão humano está diretamente ligado à nossas emoções mal expressadas, aos tais nervos.

Se é pra concordar com eles, digo que ando desesperada então. E não sinto, ou não quero sentir. É quando meu estômago vem e me obriga a mexer com o que tá fazendo doer por dentro. Obrigada então, estomaguinho querido, vou tratar dos casos problemáticos e desajeitados da minha vida pra ver se você pára de gritar um pouco. Porque doi (que estranho sem o acento agudo) e tá me fazendo sentir problemática demais, além do normal.

bom sábado a todos =]

sexta-feira, 13 de março de 2009

BESTA E BANAL

Tenho 48 fotos no orkut.

Somando as praticamente 48 legendas e mais uns 12 testemoniais - you do the math - são 108 maneiras de agredir uma intimidade arduamente construída ao longo de vinte e poucos anos (uhuul..já posso cantar aquela música dos Raimunos! Regravada, eu sei).

Me sinto patética navegando pela página. E pior que nas madrugadas marasmentas e improdutivas é hipnotizador aquela fuçação desvairada pela vida alheia. Às vezes, me pego completamente zumbizenta vendo uma foto da menina amiga da namorada do fulano com o namorado que eu conheço de vista de algum lugar que nem me lembro mais.
E aquelas fotos íntimas de casais, com direito a olhos fechados e uma sombra horrível nos olhos da menina? Ai que vergonha alheia... Ai que preguiça, sabe?
Sou só eu ou aquilo é uma chatice sem tamanho e, ainda por cima, viciante?

Às vezes, me sinto nua de tanta exposição, mas em outras adoro compartilhar fotos com os poucos amigos de verdade que tenho ali... Sem contar que meu orkut guarda uns testemoniais tão fofos do meu namorado... Ai deus do céu... quanta baboseira, eu sei...
Mas hoje me deu vontade de postar tudo que passasse pela minha cabeça e então concluo que uma palavra escrita aqui, me expõe muito além do que qualquer expressão em alguma foto do meu álbum do orkut.
Deveria eu deletá-lo?! Ou apagar opiniões muito íntimas?! Ter esse blog significa que ando pelada pelas ruas?! Quem sou eu?! O que será de mim nesta devastação da privacidade?! Será que isso quer dizer muito sobre minha personalidade?! Será que devo por em pauta na terapia?!

Ai credo... chega disso agora, pelo amor de santo cristo, são 4:09 da manhã... que chatice mais imbecil... e alguém sabe onde eu arrumo o relógio nesse blog? tá completamente errado

tá bom vai, explicarei!

Desbravando o site da MTV, mais precisamente o blog da Luisa (recomendo!), descobri o blog da publicitária Fernanda (o Sem Dúvida, que recomendo também).
Aquelas palavras desinibidas, o arrojamento de conseguir manter um blog, a coerência das letras e a pertinência dos temas corriqueiros adotados pela tal da fernanda - tudo isso me instigou!
Venho pensando em retomar esta mania que deu origem ao nome do meu blog há dois anos: a de traduzir em palavras o que me preenche por dentro.

Sempre ficava pra depois e hoje ficou pra agora!

Vou logo avisando que tenho uma dificuldade desgraçada de escrever assim como elas, sobre o cotidiano e pensamentos aleatórios meus.
Pra mim é difícil deixar um pouco de lado a dramatização profunda e complexa da "realidade" (que prefiro sempre deixar entre aspas, que é pra ficar claro sua indefinição).

Só resolvi transgredir esse meu limite por ter concluído que falando assim, de um jeito simples, todas as minhas ideias podem ser bem melhor compreendidas e, quem sabe, eu possa inspirar pensadores anônimos a exporem suas rimas sobre a vida - assim como a Fernanda e a Luisa fizeram comigo sem nem imaginar, muito menos me conhecer.



prazer, lola


eis os blogs
http://semduvida.blogspot.com
http://mtv.uol.com.br/blogdaluisa

FRIDAY NIGHT!

2:10 da manhã. Sexta-feira (migrando pro sábado)

Geralmente estaria eu sentada na mesa de algum bar que já estou enjoada de ir, e sem beber nada, porque meu estômago deu de somatizar minhas angústias agora, mas isso não vem ao caso. O fato é que aqui em Sorocaba está indo tudo muito bem. A cidade está bem cuidada, temos parques e pistas de caminhada que parecem estar dando conta de uma ressocialização interessante. Ah, e há meses que temos uma secretaria do meio ambiente até! uau


O fato é que por aqui, ou as pessoas são alternativas e lotam a baladinha lado B "PUB" num único dia da semana, [de uma só vez!]; ou são pops e adoradores de big brother que migram para os milhares de barzinhos que celebram a noite sorocabana de forma super despojada e feliz (arrgghh..isso me irrita e cansa minha beleza)... Para os pobres mortais intermediários e indefinidos como eu, NADA!
Ai, tá bom, tem o Tribeca, a balada centenária da cidade que é um ovo e tem um clâ fechado que frequenta aquilo como uma seita religiosa e misteriosa, sabe? Não curto também...

É óbvio que estou num momento de generalizar tudo e isso costuma ser muito injusto.
Além do mais, eu sei que por todos os lados tem gente assim, básica e legal como eu, que sonha com um PUB mais espaçoso, um Tribeca mais alternativinho ou barzinhos com música boa e espaço para andar, pelo menos (sem a obrigação de chegar e logo de cara ancorar numa cadeira!).

Mas isso tudo foi só um comentário, afinal, a sexta-feira 13 de hoje carrega um ar incomum que me agrada... Aquele em que no auge da despretensão e domínio do ócio, recuperamos blogs que já não lembrávamos da existência, vamos à locadora na madrugada a caça de um filme que faça tirar algum proveito do marasmo completo, ou simplesmente zapeamos canais na tv, desistimos e então vamos (tentar) dormir.



noite ímpar, eu diria